Pedra do Imperador, em Águas de Contendas (Foto: Xavier Neto)
Em 23 de junho de 1884, o vilarejo de Águas de Contendas recebeu a comitiva do Imperador D. Pedro II, que era integrada, dentre outros, pela Imperatriz Dona Tereza Cristina, o Príncipe Dom Augusto e o Conde D’Eu, personagens de destaque da nação.
Na oportunidade, quando passava pelo parque das águas, Dom Pedro sentou-se numa pedra ali existente para descansar. Amante da fotografia, o imperador gostava de posar para fotógrafos quando das viagens e, em outras oportunidades, ele mesmo fazia questão de registrar com sua câmera os momentos que vivia. Quando morreu, Dom Pedro II deixou uma coleção de cerca de 30 mil imagens do Brasil e de todo o planeta.
Para reforçar esta verdade, já que alguns aceitam a informação com ceticismo, muito provavelmente uma foto do imperador descansando na pedra esteja em sua coleção de fotos, colhida pelo fotógrafo da família imperial, Marc Ferrez ou tenha ela sido publicada em algum jornal da época, pois muitos profissionais da imprensa acompanharam a viagem, que tinha como finalidade maior a inauguração da estrada de ferro “Minas and Rio Railway”, que ligava a cidade paulista de Cruzeiro a Três Corações.
Por outro lado, alguns erroneamente atribuem a informação do descanso na pedra ao médico José Maximino Serzedello, rotulando-o de “Guia da Comitiva” de Dom Pedro II, quando da viagem à Contendas. Na realidade, Serzedello já havia estado várias vezes no povoado, já que era um estudioso das estâncias hidrominerais de Minas Gerais e as propriedades medicamentosas de suas águas.
Catalogação do livro existente no Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte.
Em 1884, em edição da “Typografia Augusto dos Santos”, o médico publicou um livro técnico-científico chamado “Guia de Viagem para as águas de Caxambu, Caldas, Lambary, Contendas e Cambuquira na província de Minas Geraes“, trazendo informações sobre as diversas fontes e sua importância para a saúde. No tópico escrito sobre Contendas, Serzedello não discorreu uma linha sequer sobre a pedra e o imperador. Trata-se de um equívoco. Confundiu-se a palavra “guia de viagem” do título do livro com a função de “guia de viagem” da comitiva imperial.
Na realidade, é irrelevante a comprovação fotográfica se o fato aconteceu ou não. Também é irrelevante saber se a informação veio do médico ou de uma outra pessoa. Os depoimentos dos conceiçoenses que estiveram no local à época, são mais que suficientes para tomarmos o fato como verdadeiro.
A foto abaixo, por exemplo, datada de 25/06/1882 e de autoria de Marc Ferrez, exemplifica como era feita a cobertura fotográfica e o registro da imprensa nas viagens do imperador. Ela mostra a visita de Dom Pedro às obras de abertura do túnel da Mantiqueira. A comitiva era enorme, como se pode observar: ao lado de Dom Pedro, a Imperatriz Tereza Cristina, a Princesa Isabel, o Conde d’Eu e os Príncipes D. Pedro Augusto e D. Augusto (ambos netos do Imperador, filhos da Princesa D. Leopoldina). O Conselheiro de Estado e Senador do Império, Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, o Barão de Laguna; o Conselheiro e Senador Afonso Celso, Visconde de Ouro Preto; o Dr. Cristiano Benedito Otoni (Senador do Império e construtor da E. F. D. Pedro II); Baronesa de Fonseca Costa (Dama da Imperatriz); o Dr. Afonso Pena (Ministro da Agricultura e Viação) e Mr. Herbert Hunt, construtor da ferrovia – entre outros. Em março de 1883, quando as linhas ainda não haviam sido concluídas, Dom Pedro II voltou ao local para inaugurar o túnel.
A comitiva de Dom Pedro II, próximo a Passa Quatro, em 1882 (Foto de Marc Ferrez)
Diário do Imperador – O Arquivo Histórico do Museu Nacional, em Petrópolis/RJ, está finalizando um CD-ROM com o diário de Pedro II, que se estende de 1840 a 1891, totalizando cerca de 4.800 páginas de cadernos de diversos tamanhos, que resultou em aproximadamente 2.500 laudas digitadas. Apesar de algumas lacunas neste período de 51 anos, o diário é uma fonte importante para a história das muitas cidades que ele visitou.
Dom Pedro deixou um acervo de cerca de 30.000 fotos, como esta em Pompéia, na Itália.
Parte são anotações feitas durante as várias viagens que Pedro II fez pelo Brasil e pelo mundo, onde relata minuciosamente o seu dia-a-dia e as suas impressões. Bastante habilidoso, o imperador desenha o que vê de interessante, anota palavras de vocabulário indígena, registra observações sobre a vida dos interioranos, suas moradias, seus hábitos alimentares etc.. Contém inclusive observações detalhadas sobre as novas descobertas e invenções de diversos países exibidas na exposição de Filadélfia em 1876 e impressões de seus encontros com intelectuais que conheceu na Europa.
Nós, que temos interesse nos detalhes que fazem a história de Conceição, aguardamos a publicação deste documentário que, por certo, trará informações interessantes sobre a nossa gente. Por enquanto, as consultas ao Arquivo Histórico podem ser feitas apenas no Museu Imperial, em Petrópolis, localizado à Rua da Imperatriz, 220 – de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 17h30.